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  • Dr. Tiago Araújo

A psicopatia dos atentados e massacres


O cérebro psicopata
O cérebro psicopata

Infelizmente assistimos nos últimos meses ondas de violência; recentemente na escola em Suzano e Nova Zelândia. Atos como estes são motivados por inúmeros fatores porém contém um traço em comum, a psicopatia. Ao vermos assassinatos passionais - brigas no trânsito, brigas de família, discussões - entendemos que houve um ato , muitas vezes, impensado e que reverberará para sempre na vida dos envolvidos. Nos casos de massacres e atentados o mecanismo é muito diferente; são atos planejados ( as vezes por anos ); ou seja, a pessoa teve tempo para raciocinar mas mesmo assim decidiu agir. Quando isso ocorre temos por trás uma psicopatia. Nosso cerebro possui duas estruturas muito importantes; o córtex pré-frontal, área onde raciocinamos, ponderamos e decidimos, e a amígdala cerebral, região que controla nossas emoções; entre estas duas estruturas nós possuímos uma rede neuronal que as conecta e fazem com que nossa emoção e nosso raciocínio consiga conter um ao outro e se auto-regular. Estudos mostram que pessoas com traços de psicopatia apresentam uma rede neuronal muito menor envolvendo estas duas áreas. Prevenir este tipo de atentado é muito difícil. Sabemos que na população temos um número importante de pessoas com psicopatia; muitas delas andam entre nós, são inteligentes, "normais". Eventualmente traços como isolamento social, pouca demonstração de emoção, estão presentes. Ao serem veiculadas na internet imagens e vídeos de atentados estamos aumentado o risco de pessoas com um traço de psicopatia tomarem a decisão de agir e portanto massacres e atentados serem replicados. Ainda não existe uma fórmula mágica para evitar os atentados, mas sabemos que educação em casa, carinho e cuidado vindo do pai e mãe ( desde a pequena infância ) são fatores protetores. Crianças abandonadas, negligenciadas, tem um risco maior de transformar traços de psicopatia em ações. O que nos resta agora, como civilização, é cuidar mais de nossos filhos. Prezar não somente pela educação na escola, mas principalmente dentro de casa. Impor limites e regras, tratar com amor e carinho; educar de verdade.


Dr. Tiago Araujo, Neurologista

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