Tenho Parkinson e agora?

Quando se iniciam sintomas de tremor, rigidez (braços e pernas mais duros) e lentidão um dos possíveis diagnósticos é o da doença de Parkinson. No momento em que o paciente recebe este diagnóstico e recorre a internet encontra um mundo de informações (várias delas incorretas) e acaba ficando triste e com sensação de desesperança. É importante lembrar que nem todo tremor é Parkinson - saiba mais sobre tremores clicando aqui.

 

Precisamos, em primeiro lugar, ter em mente que hoje em dia a doença de Parkinson tem um tratamento bastante efetivo e, com isso, o paciente ficará muitos anos com um ótimo controle de seus sintomas. Além disso também dispomos de dietas, suplementos e exercícios que ajudam o paciente a combater a neurodegeneração e consequentemente lentificar o avanço da doença.


Diagnóstico

Para diagnosticar a doença o neurologista lança mão basicamente de duas coisas: exame físico e anamnese (entrevista com o paciente)! Sim, o diagnóstico da doença de Parkinson é totalmente clínico, realizado durante a própria consulta.

Quando o neurologista identifica sinais de alerta - idade fora da faixa característica, padrão de herança familiar, evolução rápida, alterações no exame físico - opta-se por complementar a investigação com exames de sangue e imagem.

 

Os sinais da doença de Parkinson se dividem em motores e não-motores.

Sintomas motores:

Lentidão no movimento - paciente pode notar que sua mão esta mais lenta para escrever ou fazer alguma outra atividade (lavar a louça, cozinhar, costurar)

Tremores - geralmente o tremor se inicia em apenas um membro (mais comumente a mão) e ocorre mais com o paciente parado (tremor de repouso). Com o tempo o tremor pode evoluir para um tremor ao realizar ações e, com isso, dificultando a realização de tarefas do dia-a-dia.

Sintomas não-motores:

Depressão e ansiedade são comuns em pacientes com Parkinson (um misto entre alterações químicas da neurodegeneração e o choque do diagnóstico da doença).

Alterações no sono - principalmente o transtorno comportamental do sono REM (pacientes que falam muito dormindo, movem-se sem parar, muitas vezes chegam a empurrar e atrapalhar o sono do seu companheiro)

Constipação (intestino mais lento), tonturas, alterações de marcha e quedas, também podem ocorrer.


Sintomas avançados: 

Quando a doença já possui muitos anos de duração alguns pacientes podem apresentar sintomas mais graves como perda de memória, alucinações, mudanças no comportamento, agressividade e irritabilidade. Também pode ocorrer o surgimento de disfagia (dificuldade de deglutir alimentos) e, com isso, o surgimento de pneumonias de repetição.

É importante lembrar que todos os sintomas que citei acima ocorrem com a evolução da doença mas podem ser efetivamente tratados, postergados e até mesmo evitados com o acompanhamento e tratamento adequado com o neurologista.

A doença de Parkinson é hereditária?

 

A doença é, na maioria das vezes, esporádica. Ou seja, não tem o componente hereditário associado; aqui se enquadra a doença típica - surgindo após os 50 anos, evolução lenta e gradual, sem sinais de alerta associados.

Em casos de doença precoce (inicio antes dos 50 anos) ou com sintomas de alerta associados podemos estar diante de um caso de Parkinson hereditário. Nestes casos existem genes que sofreram mutação e podem ser herdados. É importante lembrar que casos assim são bastante raros.

Tratamento e prevenção

Em relação a prevenção e tratamento da doença de Parkinson temos, hoje, medidas baseadas na atividade física (diminuindo a neurodegeneração), alimentação (saiba sobre a dieta MIND clicando aqui) e medicações.

 

As medicações recaem sobre o déficit de dopamina; nisso temos a Levodopa (prolopa) que atua diretamente sobre a doença mas que possui efeitos adversos, principalmente quando de uso prolongado. Também possuímos medicações que atuam nesse mecanismo da dopamina por outras vias, visando adiar e diminuir o uso da levodopa, deixando esta medicação para fases específicas da doença.

 

A opção de quando e como iniciar a terapia com levodopa é de suma importância para o tratamento e o prognóstico do paciente; por isso devemos sempre ter uma análise ampla e crítica, discutida com um especialista.

Dr. Tiago Araújo, médico neurologista em Curitiba.

O que é neurodegeneração?

A doença de Parkinson, assim como outras doenças como o Azlheimer, são neurodegenerativas; ou seja, evoluem com o passar dos anos com um dano a regiões do cérebro que são responsáveis por funções específicas. 

 

No caso do Parkinson a degeração ocorre principalmente nos núcleos da base, mais especificamente em uma região chamada de substância negra.

Esta degeneração é responsável pela queda e desregulação da Dopamina (neurotransmissor que possui como uma de suas atividades o controle do novo movimento); com essa lesão o paciente começa a apresentar os tremores e rigidez.

neuronio-1513015581436_v2_1920x1440.jpg
download.jpg
pplwareparkinson-f06bb8f5bf0fcfd56374086

Conheça as outras causas de tremor! Clique aqui.

Dúvidas? Deixe aqui suas perguntas e comentários.