O que é depressão?

Todos conhecemos pessoas próximas com depressão; familiares, amigos, conhecidos de trabalho. Vamos entender um pouco sobre esta doença que está cada vez mais presente em nosso cotidiano?

Esta doença crônica e recorrente se apresenta, clinicamente, como uma tristeza profunda, desesperança, desanimo, sentimentos de culpa, amargura, baixo autoestima; muitas vezes, associado a estes sintomas, também temos mudanças importantes no sono e apetite.


Para termos uma ideia da gravidade do problema: quase 400 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão e, infelizmente, esse número só aumenta. A “vida moderna” e suas cobranças, a falta de conectividade das pessoas, a solidão, estão relacionadas com este aumento. Muitas pesquisas falam também na alimentação, na poluição e sedentarismo como fatores importantes para o desenvolvimento da doença. Um fator extremamente importante para a depressão é a genética; sabemos, hoje, que muitos de nós temos a depressão em nosso DNA e, nesses casos, os fatores externos podem fazer a doença se manifestar. É importante lembrar que a depressão pode acontecer em qualquer idade; sim, até mesmo crianças podem sofrer desta enfermidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depressão é uma doença! Sim, mesmo em 2019 ainda ouço pessoas falando que depressão é preguiça! É inacreditável que com tantas informações que dispomos hoje em dia ainda existam pessoas que pensem isso. Ao fazermos exames que mostram o funcionamento do cérebro ( ressonância funcional, PET-CT ) conseguimos ver o quão doente o cérebro fica durante a depressão. Repito: sim, depressão é doença e sim precisa de tratamento!

Uma dica, MUITO importante: consultar um bom médico que te escute, que entenda o que você sente e PORQUE você sente é fundamental. Depois disso o médico poderá optar em introduzir alguma medicação ( e aí vem mais um ponto essencial: lembra dos neurotransmissores? Pois é, o médico deve saber optar sobre qual neurotransmissor ele quer “trabalhar” no seu medicamento além de entender os possíveis efeitos adversos de cada antidepressivo ).

Bom, aos poucos modificamos o funcionamento dos neurotransmissores no cérebro da pessoa com depressão e vamos voltando a ter “gasolina”. Mas e as coisas que geraram essa falha, onde ficam? Pois é. Aí que entra uma coisa MUITO IMPORTANTE: psicoterapia!

Sim, meus amigos. A depressão se cura com medicação e com terapia! Inclusive inúmeros estudos científicos provam que pacientes que tomam medicação e fazem terapia juntos tem uma resposta bastante superior a quem só toma o remédio.

A terapia é importante para nos ajudar no auto-conhecimento; fortalecimento pessoal; enfrentamento de traumas; aprendizado de habilidades emocionais. Ou seja, deixe esse preconceito de lado e vá para a terapia!

Outra coisa que acho importante comentar. O diagnóstico da depressão é clínico! Ou seja: o médico ao te ouvir , entender sua história, seus problemas de saúde , poderá concluir esse diagnóstico sem nenhum exame. Porém há de se lembrar que a depressão pode ser secundária a algum problema físico e, caso o médico suspeite de algo na sua história temos que realizar exames ( tireóide, anemia, doenças neurológicas e até mesmo câncer, podem se traduzir clinicamente como depressão ).

Eu vou melhorar doutor?

Em relação ao tratamento com os remédios, quero ressaltar uma coisa. No começo é tudo difícil. Difícil procurar ajuda, difícil aceitar tomar medicação e fazer terapia. O remédio, nas primeiras 2 a 4 semanas, também pode ser difícil. No início pode ocorrer um aumento da ansiedade além do surgimento de efeitos colaterais. Muita calma nessa hora. Converse com seu médico para ajustar a dose do remédio, trocar o remédio, ou até mesmo associar um segundo remédio neste início. Após esse início difícil existe a tendência das coisas começarem a melhorar. Não é rápido, nem fácil, mas as coisas melhoram!

Se você conhece alguém com depressão, trate a pessoa com amor, carinho e respeito. Entenda que não é frescura, não é preguiça, muito menos falta de fé. É doença. Saiba que a ajuda de amigos e família é um ponto crucial na melhora da pessoa com depressão. 

Quem for de Curitiba e região fico a disposição para enfrentar essa doença. Gosto de lembrar meus pacientes, mais uma vez, desse "casamento" entre terapia e medicação. Eu trabalho desta forma e vejo os resultados melhores do que usar somente medicação.

Se você quer saber mais sobre o tratamento médico associado a terapia, clique aqui.

Dr. Tiago Araújo, médico neurologista em Curitiba.

Toda tristeza é depressão?

É muito importante que façamos uma distinção: nem toda tristeza é depressão!

Após acontecimentos tristes em nossas vidas ( fim de relacionamentos, desemprego, dificuldades financeiras, morte de pessoas próximas ) todos podemos passar por momentos transitórios de tristeza. Não devemos confundir isso com a depressão!

Na depressão os sintomas não melhoram com o tempo, mesmo com a pessoa se esforçando, muito, para sair deste situação. A tristeza não da trégua e, em muitas vezes, parece  até não ter uma causa aparente. O humor começa a piorar a cada dia; a vontade de trabalhar, de estudar, de se relacionar, vai indo embora; chega um momento em que a vontade de viver acaba.

Neurologista em Curitiba - Depressão

Do ponto de vista neurológico, o que acontece?

Nosso cérebro armazena tudo o que ocorre em nossas vidas. Mesmo quando não lembramos ou não queremos pensar, as informações estão lá. Ao longo do tempo, traumas de infância, estresses recorrentes, vão gerando suas repercussões em nossos neurônios e, em algum momento, uma série de substâncias – neurotransmissores – começam a ser fabricados de maneira errada e insuficiente. Algumas pessoas nascem com uma genética “mais preparada” ( como se houvesse uma reserva de energia para aguentar as pancadas ); outras já tem uma genética que predispõe a depressão ( geralmente nesses casos temos o histórico da depressão em nossas mães, pais, avós ).

Ao diminuirmos a produção desses neurotransmissores começam os problemas. Pense nos neurotransmissores como se estivéssemos falando de um carro: faltando óleo, água, gasolina, o carro funciona direito? Pois bem, no nosso cérebro essas substâncias são inúmeras ( serotonina – a mais “falada”, noradrenalina, adrenalina, dopamina, endorfina, substância P, dentre inúmeras outras ); cada uma delas tem sua função mas, falando de modo grosseiro, todas precisam estar presentes e numa concentração adequada, para que o cérebro esteja saudável.  No momento em que elas começam a cair... falta de energia, cansaço físico, tristeza, alterações no sono e apetite, e outros sintomas clínicos começam a aparecer – cada substância dessas é “causadora” de um sintoma ( por isso que na hora de tratar os pacientes é importante entender MUITO BEM esse mecanismo, pois cada cérebro pode precisar de um tipo diferente de remédio e é por isso que muitas vezes um antidepressivo funciona super bem para uma pessoa e não funciona para outra! )

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