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  • Dr. Tiago Araújo

Você fala e se debate ao dormir? Alguma vez já acordou e ficou paralisado sem conseguir se mover?

Conheça os distúrbios do sono REM !



Em primeiro lugar, o que é o sono REM?


Nosso sono tem quatro fases que trabalham em ciclos enquanto dormimos. Cada uma dessas fases possui sua utilidade e são suscetíveis a distúrbios. O sono REM é a quarta e última fase do sono e surge aproximadamente 90 a 100 minutos após dormirmos e tem uma duração de 10 a 20 minutos; ela se repete 4 a 5 vezes durante a noite. É uma fase profunda e muito importante do sono: é nela que consolidados nossa memória e regulamos a produção de diversos hormônios e neurotransmissores. Pessoas que não aprofundam o sono possuem mais dificuldade na memória, concentração além de risco de pressão alta e outros problemas cardiovasculares.


REM vem do inglês - RAPID EYES MOVIMENT - que em português chamamos de movimento rápido dos olhos. Ao observar uma pessoa dormindo vemos um período em que seus olhos se movem rapidamente, por isso este nome. É a fase do sono em que temos sonhos vivos! Como nosso cérebro é fantástico, nesta fase do sono ocorre uma inibição medular ao movimento corporal (é na medula que os nervos saem do cérebro e vão para o resto do corpo); ou seja, podemos sonhar a vontade, correr, lutar, falar, que nosso corpo ficará ali paradinho.


Quando ocorre um "defeito" nessa via de controle começamos a observar movimentos vívidos do paciente dormindo: a pessoa pode se debater, bater no companheiro (de verdade!!), falar alto, gritar e até cair da cama e se machucar. Nestes casos temos o que é chamado de transtorno comportamental do sono REM e ele pode nos dar dicas importantes da nossa saúde cerebral.

Uso de medicamentos é uma das causas desse transtorno: antidepressivos, álcool e algumas outras drogas podem alterar o mecanismo de inibição dos movimentos e gerar o distúrbio.


Sinucleinopatias que são depósitos anormais de uma proteína chamada sinucleina são a causa mais "badalada" do transtorno do sono REM. Ao se depositar em locais que não deveria estar, as sinucleinas impedem o cérebro de gerar a atonia muscular e consequentemente surgem os movimentos.

As sinucleinopatias mais estudadas são a Doença de Parkinson, atrofia de múltiplos sistemas e doença de Lewy. É importante notar que o transtorno do sono REM pode aparecer muitos anos antes de outros sinais dessas doenças! Por isso é tão importante prestar atenção no sono e procurar um neurologista na existência desse transtorno.

O tratamento do transtorno comportamental do sono REM envolve medidas ambientais: evitar objetos pontiagudos como criados mudos e cabeceiras próximos a cama; dormir com o colchão no chão ou colocar almofadas protetores em caso de queda; colocar grades de retenção na cama. O tratamento também pode ser medicamentoso por meio de uso de drogas como o clonazepam (rivotril) ou melatonina.


Outro distúrbio interessante do sono REM é a paralisia do sono; você acorda no meio da noite e simplesmente não consegue mover o seu corpo! É desesperador! Além disso pode haver delírios e alucinações, piorando ainda mais a situação não é mesmo?


Este quadro ocorre quando o paciente acorda justamente durante o período de atonia do sono REM; ou seja, o corpo está preparado para sonhar e os músculos paralisados e, justamente nessa hora, o paciente acorda e o corpo ainda não está preparado para o movimento!


Suas causas são inúmeras; uso de medicações indutoras de sono, privação de sono (passar dias dormindo pouco ou invertendo o dia com a noite), estresse e ansiedade, uso de álcool ou drogas.


O tratamento da paralisia do sono envolve medidas gerais como melhora dos hábitos de higiene do sono (dormir sempre no mesmo horário, evitar luzes e sons altos perto da hora de dormir, não realizar refeições pesadas a noite; evitar o uso de álcool ou energéticos). Quando necessário podemos usar remédios como os benzodiazepínicos por um certo tempo. Em alguns casos, mais graves, o paciente pode ficar com medo de dormir e iniciar transtornos psiquiátricos devido a paralisia do sono; nesses casos além das medidas comportamentais precisaremos de psicoterapia.


Gostou das nossas dicas? Acompanhe nosso blog e compartilhe essa publicação! Um abraço e até a próxima!


Dr. Tiago Souza de Araújo, neurologista em Curitiba.


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